João Galocha

JOÃO GALOCHA

Parte I

Existe ao sul de um pequeno país, no topo de um monte, uma vila tão ensolarada e colorida, que poucos problemas incomodam seus despreocupados habitantes.

Os jardins dão frutos em abundância e a grama cresce sem cessar, o que não é nem de longe um incômodo, pois o gado tem sempre o que comer ao mesmo tempo em que mantém a grama aparada. O leite é farto, o pão não falta.

Apesar disso, ou talvez por causa disso, o povo tornou-se um tanto preguiçoso, superficial até, e seus interesses vão pouco além do que comer na próxima refeição ou onde será o próximo baile.

Vizinho desta vila, existe um outro povoado, situado no fundo do vale, cujo nome é Terra das Sombras. Separa as duas vilas um alto muro e um portão de ferro que está sempre trancado. Curiosamente quem cuida para que o portão nunca se abra, é o povo da terra das sombras, que não gostaria de ver sua terra invadida pelos vizinhos tolos e supérfluos. Mantém, dia e noite, um vigia, que cuida para que nenhum desavisado cruze a fronteira.

Não que algum habitante da vila ensolarada desejasse conhecer a terra dos mistérios e das dores, pelo contrário, evitam a proximidade com o muro a todo custo. Na verdade, estes dois povos se evitam sem o menor constrangimento e nenhum faz questão de saber ou conviver com o outro. O velho ditado que diz: “bons vizinhos se fazem com altos muros”, cabe aqui à perfeição e cada povo vive satisfeito a seu modo.

Bem, quase… e aqui começa nossa história: com a insatisfação de um rei.

Todos sabemos que o rei é um ser que deveria se destacar pela sua sabedoria, poder de visão e inteligência, além de bondade e refinamento. Pois, há muito tempo atrás, um rei da vila ensolarada nasceu com uma inteligência e sabedoria muito acima do normal. Causava-lhe pesar e tristeza ver o pouco interesse de seus súditos em algo que fosse além de comer e se divertir.

Esse rei olhava do alto de sua torre para o vale sombrio e enevoado e não raro suspirava desconsolado. O rei sabia que na terra das sombras grande sabedoria era adquirida e desejava que alguns de seus súditos, poucos que fossem, pudessem lá ser educados.

Finalmente decidiu-se e fez saber ao rei vizinho que desejava vê-lo.

O encontro se deu nas margens do muro pois o rei vizinho não se mostrou muito satisfeito com o encontro e menos satisfeito ficou quando ouviu o que o rei da vila ensolarada lhe pediu:

– Que de tempos em tempos um habitante da vila ensolarada fosse levado e educado na vila das sombras e voltasse trazendo, para sua terra, a sabedoria lá aprendida.

Somente depois de grande insistência o pedido foi aceito sob a condição de que caberia ao povo das sombras decidir quem seria o escolhido.

E assim foi que, para alegria do rei e desgosto dos súditos da terra ensolarada, de tempos em tempos, um nome é colocado no portão e o escolhido é levado para a terra das sombras.

Parecia sem dúvida uma sábia decisão, mas nenhum escolhido jamais voltou das terras vizinhas, e embora o rei ainda cresse na sabedoria da sua decisão, para seus súditos, seu acordo tornou-se uma maldição.

E é exatamente aqui que começa nossa aventura, no dia em que o nome de João Galocha apareceu no portão. João Galocha tem esse nome por que está sempre usando galochas altas e fortes para andar pelo mato alto e lamacento onde pode observar os pássaros de que tanto gosta.

Quando soube que era o escolhido, João Galocha encheu-se de raiva e desespero.

-Eu não quero ir – disse para sua mãe- por que eu? Por que tenho que ser diferente? Por que não o Chico Bicicleta? Por que não o Juca Pula Brejo? Isto lá é justo?

A mãe tristonha respondeu:

– Mas que podemos fazer, é a lei, e além disso, é uma grande honra…

– Que honra que nada, não quero ir e não vou, ninguém me perguntou, vou é fugir e me esconder.

– Mas pra onde você vai, meu filho? Que devo fazer quando o emissário da vila das sombras chegar para levá-lo?

– Não faça nada, diz que eu não estou, vou me esconder atrás do portão de ferro, ninguém vai pensar em me procurar lá, vão revirar a vila toda e não vão me encontrar.

Quando a campainha soou, a mãe de João Galocha abriu a porta ansiosa, mas tranquilizou-se ao ver que quem estava ali era só o seu vizinho.

– Nossa- disse ela – que susto, pensei que fosse o emissário que tivesse vindo buscar o João Galocha.

– Pois é, trago notícias justamente dele. Parece que o emissário torceu o pé e mudou o local do encontro, vai esperar o João atrás do portão de ferro. Vim dizer pro João ficar quieto em casa e fingir que foi esquecido, eu é que não ia querer ir para aquele lugar esquisito…

O vizinho não entendeu por que a mãe do João começou a rir e o emissário não entendeu como João chegou tão pontualmente ao lugar do encontro. O que todos entendemos é que João foi para a vila das sombras, por que assim estava escrito.

Parte II

Destino

Quando cruzou o portão João Galocha abriu bem os olhos, não por que tivesse algo para ser visto, mas por que justamente não via quase nada…Estava num bosque denso. Havia lugares iluminados, e lugares bem sombreados, mas a maior parte do tempo, havia uma neblina que não deixava as coisas serem bem vistas, e mais se adivinhava o caminho do que se sabia por onde se pisava.
João recebeu um burrico, forte e bem cuidado e a tarefa de chegar até o castelo do rei.

Antes mesmo de poder protestar dizendo que não conhecia o caminho, João foi deixado sozinho pelo emissário, que desapareceu como se fosse feito da mesma neblina que envolvia tudo.

Um arrepio correu pela espinha de João e ele não teve outro remédio senão seguir adiante. O destino lhe havia aprontado uma bela encrenca.

João Galocha deu voltas e mais voltas e sempre se achava de novo no mesmo lugar, ele chegou mesmo a descer do burro e puxar as rédeas, tentando descobrir alguma pista ou rastro pelo chão coberto de folhas. Tudo em vão, parecia que ele não iria sair dali nunca mais. Um pensamento terrível lhe invadiu:

“Será que era por isso que nenhum escolhido jamais voltara? Eles simplesmente eram largados naquele lugar miserável, para morrer de fome e cansaço, livrando o rei e seu povo do incômodo de ter de educá-los?”

Este pensamento encheu João Galocha de raiva e ele começou a rir. Na verdade é assim que o povo da terra ensolarada reage aos seus problemas. Quando têm muita raiva, medo ou ansiedade, eles caem na risada, pois no fundo eles sempre acham que nada vale a pena ser levado muito a sério. Eles aceitam o que a vida lhes dá.

De repente, João percebeu que alguém mais estava rindo. Procurou por todos os lados e a risada só aumentava. Para espanto seu, acabou por perceber que era o próprio burro quem gargalhava ao seu lado.

E puseram-se os dois a rir, um do outro, até que a barriga doía tanto que eles tiveram que parar.

-Ora, ora, ora- disse João- agora só falta você falar.

O burrico o olhou com olhos inteligentes mas nada disse, parecia que ainda se ria da situação difícil em que João se encontrava.

-Pois bem- disse João- o meu destino tem se mostrado bem burro, vou te batizar de Destino.

Então, caro Destino, você sabe sair desta floresta? Você sabe chegar ao castelo do rei? Você pode me levar até lá?

O burrico balançou a cabeça querendo dizer: sei sim, por que você não perguntou antes? É só subir que eu vou lhe levar.

E soltando as rédeas João teve a grata surpresa de ser levado pelo seu burrico Destino, se não para o castelo do rei, pelo menos para fora do bosque o que já era um grande avanço.

Do lado de fora da floresta o mensageiro o esperava:

– Parabéns – disse ele a João – você aprendeu sua primeira lição.

– Aprendi o quê? – perguntou João zangado com o mensageiro por tê-lo abandonado – nem mesmo sai sozinho da encrenca em que você me deixou.

– Mas a tarefa não era você achar o caminho sozinho.

– Ah não, qual era a tarefa então?

– Aprender a fazer perguntas.

E dizendo isso o mensageiro sumiu de novo…

Do bosque para o pântano

Destino parecia conhecer bem o caminho, se bem que o caminho parecia não ter fim. Já fazia horas que andavam e João foi se sentindo sonolento a ponto de adormecer no lombo do burrico. Por pouco tempo. Acabou por escorregar da sela e teria se machucado mais não tivesse caído na água lamacenta que margeava a estrada dos dois lados. Na verdade, a estrada era a única parte seca por ali, como uma cobra a flutuar no pântano esverdeado e sombrio.

Seus pés se enroscaram nas algas limosas e João estava encontrando dificuldade em subir para a estrada de novo. Alcançou a faquinha que sempre levava consigo e cortou as plantas que o prendiam. Na mesma hora uma voz profunda soou.

– Mal educado forasteiro, além de cair em meu jardim sem ser convidado, corta meu pomar, assim, sem mais nem menos?

João olhou ao redor e deu com dois olhos reprovadores encarando-o.

Cabelos compridos e limosos caiam-lhe sobre os ombros meio curvados, corpo esguio e dançante, um rosto inteligente mas desconfiado.

– Eu sou o jardineiro deste lugar, esta é minha casa e não me lembro de lhe haver convidado.

– Sinto muito- respondeu João- saiba que nunca foi minha intenção passar por aqui, nem cair do Destino, na verdade eu nem queria estar do lado de cá do portão…

– Ah, você vem do outro lado, isto explica muita coisa… mas não resolve nada… Você caiu no meu pântano, escolhendo ou não e enquanto não reparar seu erro, por aqui vai continuar…

– Erro? Que erro? Não fiz nada de errado!

– Ah não? Entrou sem pedir permissão, cortou meu jardim, perturbou a água… por que será que pessoas como você e de onde você vem acham que podem fazer o que bem entendem? Acham que são mais importantes que as plantas ou o sossego, que tudo existe para lhes servir e que o sacrifício deve ser sempre alheio?

De nada adiantou João explicar que não tivera escolha em momento algum. Isto parecia ser algo que o jardineiro não acreditava.

– Em todos os momentos, em todas as circunstancias, nós podemos escolher- explicou o jardineiro- talvez eu não possa escolher o que vai acontecer comigo, mas posso escolher como vou reagir. Posso passar o resto da vida me lamentando de algo, ou posso escolher seguir em frente e fazer o melhor possível. Você pode resmungar que não fez nada de errado e fazer de sua permanência aqui um tormento ou pode me ajudar a reparar o jardim com alegria.

– Ah, quer dizer que vou ficar por aqui?- João deu de ombros- tanto faz, não faço questão de ir a lugar nenhum mesmo…

João Galocha ganhou a tarefa de replantar e pentear as algas com a ajuda de um barco e um pente feito de cristal.

Trabalho pesado era algo que ninguém do outro lado do portão estava muito acostumado. Toda vez que João pensava em reclamar ou maldizer sua sorte, o jardineiro lhe dizia:

– Não é o trabalho que lhe cansa, mas o fato de que você o faz de mal grado, aprende a ter alegria com tudo aquilo que você tiver que fazer, e nada mais lhe será um peso…

“Fácil falar- pensava João- vai você pentear as algas…”

Mas o jardineiro trabalhava o dia todo, sempre assobiando uma canção e à noite tirava largas baforadas de seu cachimbo enquanto contemplava as estrelas…

João Galocha foi se acostumando ao trabalho, pior, foi gostando dele. Foi então com surpresa que se viu mandado embora depois de um certo tempo…
– Mas eu não quero voltar pra estrada, está bom aqui…

– Sinto muito mas Destino lhe espera, sua tarefa aqui terminou…

– Mas muitas algas estão ainda despenteadas, há buracos na estrada, há muito para ser feito…

– Mas você ainda não entendeu que essa não era a sua tarefa?

– Não? Mas qual era então?

– Aprender a escolher…

Com isso o jardineiro deu um tapinha no lombo de Destino e lá se foi o burrico levando João Galocha para fora do pântano. O jardineiro contemplou-os durante longo tempo, até que já não eram mais do que um pontinho ao longe. O jardineiro sorriu e seu rosto sem idade se iluminou, os jardineiros nunca envelhecem…

O abismo

O burrico Destino foi fiel ao seu companheiro de viagem, depois de alguns dias de trote, João Galocha avistou o castelo do rei ao longe. Era um castelo imponente, construído com pedras largas, cheio de torres, quartos e amplos salões.

Jardins e pomares completavam sua beleza. Havia só um pequeno detalhe, o castelo todo era cercado por um abismo e embora João pudesse ver o portão de entrada, não havia ponte que o pudesse levar até lá.

“Ora, essa é boa- pensou ele- como vou atravessar?”

Desceu do burrico e vasculhou os arredores em busca de uma solução.
Impossível! Não havia jeito de atravessar. João se sentou num a pedra contemplando o espaço vazio. Nem notou que uma pequena aranha se pôs a subir pelas suas galochas. Subiu pelos seus braços e chegou até a ponta do seu nariz. João estava fascinado por ela, e mal respirava para não espantá-la. A pequena aranha ficou encarando-o, bem acomodada onde se encontrava.

“Quanta confiança- pensou ele- esta pequena aranha se põe sobre meu nariz sem temer que eu vá enxotá-la ou mesmo matá-la com um simples peteleco e uma boa pisada da minha galocha. Pois então seu nome será Confiança, minha nova amiga.”

João caminhou até a beirada do precipício. Mal enxergava o fundo e ouvia o rio barulhento que corria lá embaixo. Ainda queria descobrir um jeito de atravessar, quando Confiança pulou até o chão e começou a tecer sua teia perto dos pés do João.

Confiança deu um grande salto e carregada pelo vento chegou até o outro lado do abismo com seu primeiro fio estendido. Voltou por ele e lançou-se de novo e de novo até que os fios principais estivessem no lugar certo. João respirou fundo e viu que Confiança estava tecendo uma ponte para ele.

– Essa teia fininha nunca será capaz de carregar o meu peso. Pobre amiga, sua intenção foi nobre, mas um pouco fora de propósito, não é mesmo?

Mas quando se deu conta o burrico Destino se preparava para cruzá-la.
João correu e segurou-o pelas rédeas.

– Calma lá, Destino. Que ideia maluca é essa? Você quer se espatifar lá em baixo?

Mas o burrinho continuava a puxá-lo.

João respirou fundo e apoiou um pé sobre a teia. Ela era inacreditavelmente resistente. A cada passo que dava, Confiança completava a teia por sobre seus pés. Se ele parava, ela parava, a ponte só seria construída se ele tivesse a coragem de atravessar.

Com espanto e admiração João, puxando o burrinho, atravessou a ponte que Confiança tecera para ele e se viu do outro lado. Confiança subiu em seu ombro e juntos atravessaram os portões, que foram abertos por ninguém menos do que o mensageiro.

– Parabéns por mais um aprendizado – disse ele.

– Qual? Tecer a ponte? Não fui eu que….

– Eu se, eu sei – respondeu o mensageiro sem paciência – a lição foi aprender a confiar.

E dizendo isso o mensageiro desapareceu de novo.

– Bem, sumir é a lição que esse camarada melhor me ensinou – disse João para as paredes nuas e castigadas pelo tempo.

João adentrou o castelo. Os salões estavam vazios, não havia viva alma ao redor e João se deu conta que nem mesmo o ar se mexia. Tudo estava parado e sonolento, deserto e abandonado.

– E essa agora! O castelo está abandonado, não há por certo ninguém para me receber. Deve ser por isso que nenhum patrício meu jamais retornou. Uma boa maneira deste povo se ver livre de nós.

Mal acabara de pensar nisso e um grande pássaro preto se jogou sobre ele, deitando-o por terra e apertou seu bico sobre seu peito.

– Foi grande seu feito de ter chegado até aqui – disse o pássaro – mas para chegar ao quarto do rei você deve perder aquilo que é mais precioso para você.

-Isto não faz o menor sentido – retrucou João – por que devo perder algo?

– Por que toda vez que perdemos algo, aprendemos o valor das coisas e aprendemos a compaixão pelo outro, por que sentimos na nossa própria pele o que é a dor. E então nos tornamos verdadeiramente sábios.

– Eta maneira besta de aprender, não tem outra melhor não?

João suspirou enquanto tirava suas preciosas galochas, companheiras de aventuras pelos alagados de sua terra.

E foi assim descalço que ele adentrou o quarto do rei, que para sua nova surpresa se encontrava vazio.

Eu mesmo

O único móvel do quarto era um grande espelho de prata. João Sem Galocha se viu refletido nele. Parecia mais alto, parecia mais velho, e por incrível que pareça parecia mais sábio.

O mensageiro se encontrava no aposento.

– O nosso último rei faleceu. Ele também veio da vila ensolarada. João Sem Galocha, você foi apontado para substituí-lo, mas para isso você tem um último teste. Se não passar por ele será decapitado ainda hoje.

– Ah! Então é isso, é assim que vocês se livram de nós…

– Engano seu, Candidato a Majestade, desde que foram trazidos para nosso reino, cada um de vocês foi coroado rei ou rainha, e reinaram com alegria e justeza. Eu nunca entendi como todos passaram pelo último teste, sendo tolos como são, em todo caso… Para governar nosso reino é precioso desbloquear o espelho, ele é o guia fiel de todos os nossos soberanos, ajudando-os a tomar as decisões corretas. Ponha-se diante do espelho e faça seu pronunciamento, se você não for capaz de acordar o espelho e fazer dele seu aliado então sua presença aqui é inútil, será conduzido direto para a guilhotina…

Pobre João Sem Galocha, Candidato a Majestade. Diante do espelho e de tão grande apuros, fez a única coisa que alguém da sua terra faria: caiu em sonora e estre pida gargalhada!

O espelho deu um bocejo e acordou do seu sono de várias semanas. Olhou direto para os olhos de João Sem Galocha e sorriu:

– Bom dia Vossa Majestade – disse ele – seja bem vindo.

O quarto se encheu de móveis, cortinas de veludos, iguarias e criados.
O castelo encheu-se de gente. João podia ouvir os cavalos relinchando na estrebaria e a voz do cozinheiro dando ordens aos seus ajudantes.

João se viu vestido com roupas bordadas a ouro e com uma coroa de pedras preciosas. O tecido de seu manto era macio e confortável.

E nos seus pés as mais lindas botas que ele jamais vira.

O mensageiro deu um suspiro:

– Bem, parece que teremos mais um rei estrangeiro… – e continuou:

– Vossa Majestade, cabe a vós escolher se aceita ser nosso soberano, e se assim o decidir nunca mais podereis retornar à Vila Ensolarada. Vosso é o poder sobre o riso, do qual nós nada sabemos. Sobre vossos ombros, majestade recai a escolha.

– Ah – disse o novo rei – é assim então que as coisas se passaram. Por isso ninguém jamais voltou, quem é que não quer ser rei ?… Mas há muitas maneiras de escolher – continuou ele – não preciso do poder do riso só para mim, é preciso que aprendamos um com os outros. Isto talvez eu possa ensinar a vocês…

E assim foi que apesar de não poder voltar à sua terra João Generoso, como passou a ser conhecido, ordenou que os portões do reino fossem abertos e quem quisesse poderia cruzá-los em busca dos aprendizados que ambas as terras tinham a oferecer, e cada um estava livre para escolher.

 

Esta história foi feita para o Matheus, Tomás, Yuri e Ariel! E eles fizeram um lindo teatro de sombras com ela.

teatro de sombras